AGRADECENDO 2010, ESPERANDO 2011

31 de Dezembro de 2010 às 14:07 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
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Outro dia, conversando com um amigo, ele me dizia que não via muita graça na festa que espera o novo ano iniciar. Naquele momento concordei com ele, mas creio que estava errada. Todos nós precisamos de marcas, de ritos de passagem para determinar o fim de um momento e o início de outro. É verdade que poucas coisas mudam na noite do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro, mas também é verdade que a esperança paira no ar.

Tenho aprendido com meu filho a fazer  e escrever um balanço do ano que se finda e minhas expectativas, proposições, esperanças para o ano que começa. E cá estou eu, fazendo memória e sonhando.

Profissão - Iniciei 2010 com cidadania teológica, mas tinha pela frente o desafio de, depois de um período particularmente muito difícil, a voltar a ser em sala de aula o que realmente sou. Reencontrei-me animada com minha profissão e missão. Faço parte de três instituições: Faculdade Dehoniana, PUC-SP e Instituto Sta Terezinha, de SJC. Em cada uma delas encontrei elementos importantes para essa reconstrução profissional e pessoal. Meus amigos professores a quem agradeço as discussões teológicas, as dicas pedagógicas e a partilha de vida; meus estudantes que com os incentivos e as críticas foram me indicando o melhor caminho a seguir. Nesse balanço vejo que consegui receber as críticas, acolhê-las e transformá-las em ações positivas. Muito obrigada!!!

Como essa é uma reflexão e não uma carta para agradar ninguém tem que ser justa e, portanto não poderia deixar de destacar  o fato de estar em uma instituição que tem uma missão clara e  com a qual me identifico profundamente. Agradeço a Deus pela família Dehoniana e aqui falo não só da Faculdade, mas também da comunidade do Conventinho. É com eles que passo a maior parte do meu tempo. Agradeço por poder, de algum modo, fazer parte dessa família, de apreender seus ideais, de beber diariamente da alegria de acreditar que um mundo justo é possível. Chegar lá é como chegar em casa.

Comunidade - Minha família escolhida. Já se vão 21 anos que nos escolhemos para sermos uma família que decidiu pela partilha. Sei que tantas vezes estive ausente do convívio, mas também sei que ali é meu porto seguro. Voltar pra casa é um realimentar de forças para enfrentar os desafios do dia a dia. Nossas conversas, nossas discussões me fazem acreditar que a melhor vida é a vida comunitária. Que o próximo ano eu possa ser mais presença. Que o “Dia Feliz” das crianças possa ser uma constante para todos nós.

Família - Às vezes sinto certa frustração por achar que tantas coisas que acredito não foram bem assimiladas ou compreendidas, porém o tempo sempre mostra (nunca quando queremos) que sou muito apressada e que o resultado vem. Vejo em vocês, Gu e Clau, a construção diária de vidas que são meu prolongamento. È difícil ver que cresceram e que tem vida própria, é o point of no return.perdão pelos momentos de intolerância.  Aonde estivermos somos essa pequeninha família que sabe ser gigante quando precisa.

Aos meus amigos que tornaram possível um 2010 feliz. Obrigada pela companhia, presença, carinho, testemunho. Não consigo imaginar minha vida sem cada um de vocês. O valor da amizade é sagrado e por isso vejo em voces esse Deus, companheiro de caminhada. Sei que sou exigente em relação a amizade, provavelmente porque para mim,  sem amigos não existe vida. Obrigada aos amigos de sempre, obrigada aos amigos que chegaram esse ano. Voces vale a vida!!!

Foi um ano bom, não cumpri tudo o que me predispus, mas cumpri algumas coisas. È hora de renovar algumas e colocar novas propostas. Em tudo percebi  a presença desse Deus que me acompanhou em cada passo. Em 2011 muito tem que ser feito, tenho muitos planos. Quero viver a gratuidade do amor incondicional. Quero viver a expectativa do Reino, ajudar A construí-lo onde eu estiver. Será muito difícil eu sei, mas a vida é isso, um grande desafio de vivê-la bem.

Vamos rumo a 2011, rumo aos 52 anos! Como Deus é bom!!!

FELIZ


UM NATAL COM GRITO PROFÉTICO!!!

23 de Dezembro de 2010 às 15:53 por Rosana Manzini | Postado em: ROSANA
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É NATAL !!!

O nascimento do Salvador e Redentor me remete à opção fundamental feita há muitos natais atrás. Ainda que tudo empurre para um consumo sem sentido, desenfreado, onde a insatisfação permanece após a abertura dos presentes, viver o Natal significa para mim, reconfirmar a adesão ao projeto do Reino. Creio na Civilização do Amor, creio na Igreja comprometida com a vida de cada um e de todos. Creio na grande experiência do amor incondicional e sei sobretudo que está vida de amor é exigente e tantas vezes sofrida. Viver o Natal é acolher a mensagem que transforma vidas e o mundo.

Pensei em várias mensagens para transmitir os meus votos de um Feliz Natal mas nenhuma delas era tão verdadeira e tão profética quanto o discurso do bispo emérito de Limoeiro do Norte (CE), Dom Manuel Edmilson Cruz, que recusou a Comenda de Direitos Humanos oferecida pelo Senado Brasileiro. Se fez Natal, e com o olhar fixo na manjedoura este pastor do século XXI renovou a esperança dos que crêem que a vida e a dignidade ainda se fazem valer contra toda ostentação, contra todo privilégio. O seguimento deste Deus que se faz Menino está presente em cada palavra proferida:

A surpresa chegou aos meus ouvidos à noitinha, quinta-feira 16 de dezembro. Como o alvorecer da aurora e a vibração cantante de um bom-dia. Mais que surpresa: era como se alguém de extraordinária generosidade tivesse enfocado uma libélula projetando a sua leveza e levando-a a atingir as proporções de um águia ou de um condor.
Passa por esse crivo o meu cordial agradecimento ao senhor Senador Inácio Arruda, aos seus ilustres Pares que o apoiaram e a todo Congresso Nacional.

Pensei, em vista dos meus oitenta e seis anos, em receber essa honraria por meio de um representante. Mas Congresso Nacional merece respeito. Verdadeiro Congresso Nacional é sinal de verdadeira democracia.

A honrosa condecoração, porém, dos Pais da “Pátria”, (como diriam os Romanos “Patres Conscripti”), me faz refletir. Precatórios que se arrastam por décadas; aposentados, idosos com suas aposentadorias reduzidas; salários mínimos que crescem em ritmo de lesmas… depois de três meses de reivindicações e de greves, os condutores de ônibus do transporte coletivo urbano de Fortaleza, dos cerca de 26% de aumento pretendido, mal conseguiram e a duras penas, pouco mais de 6%, quer para a categoria, quer para o povo, principalmente os pobres da quinta maior cidade do nosso Brasil
.
Pois é exatamente neste momento que o Congresso Nacional aprova o aumento de 61% dos honorários de seus Parlamentares que em poucos minutos chegam a essa decisão e ao efeito cascata resultante e o impõe ao povo brasileiro, o seu, o nosso povo. O povo brasileiro, hoje de concidadãos e concidadãs, ainda os considera Parlamentares? Graças ao bom Deus há exceções decerto em tudo isso. Mas excetuadas estas, a justiça, a verdade, o pundonor, a dignidade e a altivez do povo brasileiro já tem formado o seu conceito. Quem assim procedeu não é Parlamentar. É para lamentar. Prova disto? Colha na Internet.

Bem verdade é que a realidade não é assim tão simples e a desproporção numérica, um dado inarredável. Já existe – e é de uma grandeza bem aventurada! – o SUS; o bolsa família. Aí estão trinta milhões de brasileiros, que da linha de pobreza, às vezes até da indigência, alcançaram a classe média. É verdade a atuação do Ministério da Saúde. Existe o Ministério da Integração Nacional. É verdade! Mas não são raros os casos de pacientes que morreram de tanto esperar o tratamento de doença grave, por exemplo, de câncer, marcado para um e até para dois anos após a consulta. Maldita realidade desumana, desalmada! Ela já é em si uma maldição. E me faz proclamar em pleno Congresso Nacional, como já o fiz em Assembléia Estadual e em Câmara Municipal: Quem vota em político corrupto está votando na morte! Mesmo que ele paradoxalmente seja também uma pessoa muito boa, um grande homem. Ainda não do porte de um Nelson Mandela que, ao ser empossado Presidente da República do seu país, reduziu em 50% o valor dos seus honorários.

Considerações finais

Senhores e Senhoras,
Sinto-me primeiro, perplexo; depois, decidido. A condecoração hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Camara. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os Senhores a Senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la! Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão, a cidadã contribuintes para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade do seu trabalho. É seu direito exigir justiça e eqüidade em se tratando de honorários e de salários. Se é seu direito e eu aceitar, estou procedendo contra os Direitos Humanos. Perderia todo o sentido este momento histórico. O aumento a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isto não acontece. O que acontece, repito, é um atentado contra os Direitos Humanos do nosso povo.

A atitude que acabo de assumir, assumo-a com humildade. A todos suplico compreensão e a todos desejo a paz com os meus sinceros votos e uma oração por um abençoado e Feliz Natal e um próspero e Feliz Ano Novo!

DEUS SEJA BENDITO PARA SEMPRE!

PARA SEMPRE SEJA BENDITO !

FELIZ NATAL !!

PÓS-GRADUAÇÃO EM DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA NA DEHONIANA

26 de Novembro de 2010 às 21:43 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
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Bento XVI: É urgente formar leigos na Doutrina Social da Igreja

13 de Novembro de 2010 às 13:02 por Rosana Manzini | Postado em: DSI
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VATICANO, 05 Nov. 10 / 01:49 pm (ACI).- O Papa Bento XVI pediu aos participantes da assembléia plenária do Pontifício Conselho Justiça e Paz, uma urgente formação dos fiéis leigos nos princípios da doutrina social da Igrejapara que possam responder aos desafios da sociedade atual.

O Santo Padre dirigiu uma mensagem ao presidente deste dicastério, Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, na qual assinalou que os leigos “devem comprometer-se para promover uma reta configuração da vida social, respeitando a legítima autonomia das realidades terrenas”. O evento, que se realiza em Roma, analisa a recepção da Encíclica “Caritas in veritate” nos diferentes continentes.

“É muito importante uma compreensão profunda da doutrina social da Igreja, em harmonia com todo seu patrimônio teológico e fortemente enraizada na afirmação da dignidade transcendente do homem, na defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural, e da liberdade religiosa”, indicou.

Nesse sentido, Bento XVI insistiu na necessidade de “preparar a fiéis leigos capazes de dedicar-se ao bem comum, especialmente nos âmbitos mais complexos, como o mundo da política”.

O Papa recordou os “problemas fundamentais que afetam o destino das nações e das instituições mundiais, assim como da família humana”, e indicou que os desequilíbrios sociais e nacionais não desapareceram.

“A coordenação entre os Estados –freqüentemente inadequada, porque se orienta à busca de um equilíbrio de poder, em lugar da solidariedade– dá lugar a desigualdades, ao perigo do domínio de grupos econômicos e financeiros que ditam -e querem seguir fazendo-o- a agenda política, à custa do bem comum universal”, explicou.

Nesse sentido, expressou seu desejo de que o Pontifício Conselho Justiça e Paz siga “levando adiante a atualização da doutrina social da Igreja” e sua promoção e estudo.

O Papa indicou que “em colaboração com outros, o dicastério deve procurar vias mais apropriadas para a transmissão da doutrina social, não só nos tradicionais itinerários formativos e educativos cristãos de todo tipo e grau, mas também nos grandes centros de formação do pensamento mundial, como os grandes meios de comunicação ‘laicos’, as universidades e os numerosos centros de reflexão econômica e social, que recentemente se desenvolveram em todos os rincões do mundo”.

“Só com a caridade, sustentada pela esperança e iluminada pela luz da fé e da razão, é possível conseguir objetivos da liberação integral do ser humano e de justiça universal”, afirmou.

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=20499

SRA. PRESIDENTA, DUC IN ALTUM!!!

2 de Novembro de 2010 às 21:10 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
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Hannah Arendt para entender a existencia humana teve que mergulhar nas categorias da Política, liberdade, ódio, preconceito, amizade e amor. Lembrei muito disso durante todo esse período de campanha eleitoral.  Nunca essas categorias estiveram tão presentes em um tempo curto e revelador.  Vivemos um período intenso de emoções, mas sobretudo pudemos observar o quanto estamos longe de compreendermos s Política como expressão da caridade. O Papa já advertia em sua encíclica Deus Caritas Est, a importância da política no resgate da Dignidade Humana. Dignidade esta teológicamente fundamentada no IMAGO DEI. O Senhor Deus nos criou a Sua Imagem e Semelhança e isto já deveria nos bastar para que as relações se estabelecessem de forma verdadeira, sincera e, acima de tudo, que buscasse a Vida Plena para todos. Mas não foi o que vimos neste período, ao contrário, vimos um combate feroz, raivoso.
Tenho a Política como algo apaixonante. Ela possibilita a organização da pólis, mas possibilita também nos tornarmos co-criadores, ou seja darmos continuidade a criação. Para isso, se torna absolutamente necessário conhecimento e sensibilidade de todos. Conhecimento para que as escolhas, ao menos, se aproximem daquilo que temos como projeto de país e de mundo e, sensibilidade para lidarmos com os que pensam diferente de nós. Essa conjunção poderia evitar tantos dissabores e tantas decepções. Foi entristecedor ver pessoas que professam a mesma fé se acusarem, se ofenderem, duvidarem umas das outras…………. as palavras do Evangelho passaram longe desses confrontos. Fica claro a falta de maturidade de fé, como ficou evidente a falta de conhecimento da própria doutrina. Me assustei com o desconhecimento de nossa gente da Doutrina Social da Igreja. São pouquíssimos lugares onde os fiéis leigos recebem formação em matéria social possibilitando a fazer as escolhas corretas. Aí está uma grande falha de nossa igreja, não oferecer a formação necessária para o laicato exercer sua missão primeira que é de estar no mundo e conduzi-lo segundo os desígnios de Deus. Talvez se nosso laicato fosse preparado, formado não teríamos tido tantos confrontos, tantas divisões.
Além da Doutrina Social da Igreja, a Teologia Moral Católica,
nos orienta com a Doutrina sobre a Consciência (ler Gaudium et Spes nº16, ou a enciclica Veritatis Splendor – o Esplendor da Verdade). Temos um doutrina rica e profunda, é uma pena que tão poucos se interessam em conhece-la realmente. Ninguém entregaria seu filho nas mãde um médico que não estudou medicina. Como podemos fazer escolhas usando o nome de Deus e da Igreja se não nos aprofundamos na sua Palavra e Doutrina? Corremos o grave risco de reproduzir o que ouvimos dizer ou o que é pior, reproduzir interesses particulares. Teremos mais dois anos a frente para as próximas eleições, será que nos prepararemos para enfrentá-las com conhecimento e sensibilidade? Oxalá, sim!!!
Quanto a eleição de Dilma como presidenta (escolhi esta forma pois ela reforça o fato de ser uma mulher na presidência), foi uma eleição legítima. O voto depositado nas urnas lhe dá o direito de assumir o mais alto cargo, o de mandatária deste país.  Não aceito que o fato de alguém não ter votado nela lhe deseje um mal  governo. Imaginem se em nossas paróquias quando uma coordenação de pastoral eleita não fosse de nosso agrado, agiríamos contra? ou somaríamos pois, o que está em jogo é o trabalho de um grupo em prol do bem da Igreja . Da mesma forma. Aqueles que não a escolheram devem somar para construírmos um país mais justo, onde todos possam ter sua vida resgatada na dignidade de IMAGO DEI.
Quanto a mim, que votei em Dilma, posso dizer que estarei junto nessa construção, sem perder o senso crítico. Criticarei quando for necessário mas, não deixarei de apoiá-la sempre que considerar justa sua forma de conduzir a política deste país.
Boa sorte, Sra. Presidenta! DUC IN ALTUM! Vamos para águas mais profundas. Erradicar a miséria, “para que todos tenham Vida, e Vida Plena”
Conte comigo!

SER PROFESSORA DE TEOLOGIA. GRAÇA E DESAFIO!

15 de Outubro de 2010 às 21:12 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
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Hoje celebra-se o dia do Professor. eu nunca pensei em ser professora. quando criança queria ser médica, depois advogada. Por ai iniciei meus caminhos no mundo universitário, entrei na Faculdade de Direito do largo são Francisco – USP e estudei para advogar. A causa da justiça sempre gritou dentro de mim. Mas enquanto estudava e cantava as famosas trovas acadêmicas minha vida cristã crescia, se responsabilizava, tomava consciência. A cada passo sentia sede de saber mais sobre o Deus que eu professava mas que ainda conhecia pouco. O tempo foi passando, os estudos de direito civil, Penal, Tributário seguiam, mas cada vez menos eu me via como advogada. Mas também, enquanto o tempo passava de um lado a sede aumentava de outro. Quando estava para iniciar o 4º ano, percebi que era hora de tomar uma decisão. Deixei os estudos de Direito e mergulhei no mundo fantástico da Teologia, tinha 26 anos.

Descobri a minha estrada. Mas ainda não sabia que iria me tornar professora de teologia, só queria aprender, entender, viver a descoberta do mundo teológico. Mas os caminhos de Deus são misteriosos. Depois de um período de doença que me forçou parar os estudos por um ano conclui o curso de Bacharelado pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção. Ainda não pensava em ser professora, mas provavelmente o Senhor já pensava rsrs.  Em 1990, o então bispo de Mogi das Cruzes, Dom Paulo Mascarenhas Roxo,  me convidava para continuar meus estudos na Pontificia Università Gregoriana em roma, onde deveria estudar Moral Social e Doutrina Social da Igreja e voltar para ensinar no Instituto de Filosofia e Teologia de Mogi. Obedeci!! Fui e voltei como professora de Teologia. Já se passaram 16 anos da primeira vez que entrei em uma sala de aula e não me sentei nas carteiras estudantis mas na mesa do professor. Nesses 16 anos, minha vida acadêmica foi se intensificando, passei a lecionar em diversos lugares, inclusive me tornei professora na mesma faculdade onde fui aluna. Mas o que queria refletir aqui é o ser professora, que já é algo de profunda importancia, mas queria refletir o ser professora de teologia.

Ser professora de teologia não basta conhecer todos os tratados teológicos. Não basta ter conhecimento, não! Ser professora de teologia seignifica que vc tem que ter uma vida de fé profunda, que faça do teu magistério uma vocação de entrega. Ser professora de teologia significa estabelecer vínculos de amor com teus alunos, pois diante de voce não está um receptáculo vazio para ser preenchido por teorias, mas sim uma pessoa criada a imagem e Semelhança do Deus que voce professa. Ser professora de teologia significa acreditar que o Reino de Deus é uma realidade a ser construída e que todos naquela sala de aula tem a responsabilidade para com esta construção. Ser professora de teologia é ter o brilho dos olhos de quem descobriu um tesouro e quer entregar o mapa para seus alunos. Ser professora de teologia significa saber pedir perdão quando erra, corrigir quando eles erram e realirmar sempre que a Misericórdia ampara a todos. Ser professora de teologia é ter a consciência de que os títulos pouco significam se não souber amar aqueles que te foram confiados. Ser professora de teologia é saber que sabe tão pouco diante do Mistério de Deus e mesmo assim esse pouco voce transmite como se fosse tudo.

Sou feliz com meus alunos, sou feliz com meus amigos professores, sou feliz nos lugares onde trabalho. Hoje sou uma professora de teologia que ama o que faz, mas que sobretudo entendeu que a vocação do ser professora se explicita no amor que voce é capaz de oferecer dentro e fora da sala de aula.  Padre León Dehon, fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração em um de seus textos sobre educação diz assim;

“Educar um cristão é formar um homem com coração, um homem capaz de sacrifício e dedicação, um homem livre do jugo do egoísmo”.

Hoje rezo por todos meus professores, por todos meus amigos professores e peço para que o Senhor não permita que percamos o brilho de nossos olhos, que não percamos a beleza de nos reencantarmos sempre com a vocação de ensinar !.

CARTA PARA ALGUÉM QUE FOI CEDO DEMAIS!

9 de Outubro de 2010 às 23:09 por Rosana Manzini | Postado em: ROSANA
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Olá Albano,

Não tivemos a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente, mas ouvi muitas vezes falar de você. Sou amiga da tua irmã, trabalhamos juntas na mesma instituição. Conheci seus pais, jantei com eles algumas vezes com eles na casa dela. Ontem fui surpreendida com a notícia que tinham tirado a sua vida. Alguém, por motivo nenhum, te acertou pelas costas transpassando teu coração. O teu último respiro foi nos braços de teus pais.

Hoje estive com tua família, conheci teus três filhos que já carregavam no coração a saudade da mãe que partiu a tão pouco tempo vítima de câncer.  O garoto é muito parecido contigo. Eu também tenho dois filhos, maiores que os teus, mas a preocupação é a mesma, né? Mas escrevo porque preciso te dizer algumas coisas. A primeira é que não foi Deus que quis que você fosse embora agora, dessa forma tão dram. Sem dúvida, e tenho certeza, você sabe disso agora muito mais do que nós. O que interrompeu teu “vôo” foi o resultado de uma omissão generalizada pela vida integral das pessoas. Perdemos-nos nas buscas de prazeres, de poderes, de “auto-realizações”.  O outro deixou de ser importante para nós. Fomos ficando tão egoístas, tão centrados em nós mesmos, que a vida e dores de tantas pessoas passaram e passam desapercebidas. Na verdade Albano corre-se tanto sem saber para que e nem para onde. Eu também, tantas vezes me pego nesse mesmo ritmo. O problema é que, nós que professamos a fé cristã, temos o dever ético-moral de construirmos uma sociedade que seja de estatura humana.

Eu sempre sonhei em viver a experiência de ser Igreja buscando um mundo que revelasse, nas suas organizações, o Amor de Deus. Procurar a justiça, procurar a paz, procurar a dignidade humana de cada pessoa e de todas as pessoas se tornaram um imperativo ético que moldaram minha vida desde a adolescência. Viver esse sonho no dia a dia nem sempre foi fácil e nunca o será. Mas não temos opção. O seguimento de Jesus nos obriga a uma tomada de posição radical, ou estamos com Ele ou não estamos. Temos que ser uma Igreja-samaritana que tem a coragem de sair de sua estrada cotidiana e ir ao encontro das chagas do mundo. Eu creio nisso, sabe?!! É uma luta amorosa sem fim. Aonde a vida for negada é lá que deveremos estar.Precisamos não ter medo da cruz! E não é fácil.

Não foi teu corpo inerte que me colocou em profundo questionamento. Não! Eu creio na Vida Eterna! Eu tenho certeza de que o Pai te acolheu! O que me inquietou profundamente foi o sofrimento dos que ficaram. As lágrimas dos órfãos, que Deus sempre mandou que nós cuidássemos, que nos responsabilizássemos. São essas mesmas lágrimas que me questionam no mais profundo de minha consciência. Lágrimas dos olhos de tantos brasileiros e brasileiras que sonharam, como eu, com um sociedade humana e fraterna. É necessário mais de mim, é necessário coerência maior, é necessário assumir a profecia, é necessário de verdade lutar pela vida, sim. Era preciso um pouco mais de todos nós. Talvez se tivéssemos nos comprometido um pouco mais, se tivéssemos acreditado um pouco mais……. Eu sei, esse “se” não resolve, não volta o tempo….. então fica mesmo o meu pedido de perdão.

26 ANOS DE UM GRANDE APRENDIZADO !

22 de Setembro de 2010 às 17:51 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
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Não te digo parabéns, te digo MUITO OBRIGADA!.

Obrigada pelos 26 anos de aprendizado contigo. Voce me ensinou e me ensina muitas coisas seja com tua alegria, seja com tuas crises. Com voce tive que aprender a ser mais velha mesmo quando era jovem. Com voce tive que aprender a ter paciência ainda quando era impaciente, tive que aprender a ler teus pensamentos quando ainda queria que lessem os meus. Com voce aprendi que tinha que confiar mesmo quando duvidava, tive que aprender a me calar quando tinha vontade de dizer tantas coisas. Com voce e com teu irmão tive que aprender a ser mãe.  Aprendi tanto com voce nesses 26 anos, filha. Só uma coisa eu já tinha quando voce nasceu, Amor…… eu te amei mesmo antes de voce nascer.
Obrigada pela tua alegria, pelas gargalhadas e pela menina que voce foi e pela mulher que voce está se tornando. Que o tempo que nos resta seja de intenso amor e partilha e que não esqueça do mais importante ensinamento, confie em Deus e entregue tua vida em Suas Mãos. Ele saberá te  indicar a estrada justa.
beijo do tamanho do meu amor

“Pela Liberdade de Consciência” – Dom Demétrio Valentini

18 de Setembro de 2010 às 20:46 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
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Estamos mesmo em um momento de uma enxurrada de emails trazendo desde textos horríveis a textos extraordinários. Posto este de Dom Demétrio Valentini. Tenho certeza de que será um texto que nos ajudará em nosso discernimento

Pela liberdade de consciência

Dom Demétrio Valentini*
Algumas observações se fazem oportunas, no contexto do processo eleitoral que estamos vivendo. Em meio ao bombardeio diário da campanha, sempre é bom tomar a devida distância, para captar com clareza os critérios a serem levados em conta para iluminar a decisão de cada eleitor.

Os candidatos têm todo o direito de tentar convencer os eleitores a apoiarem suas propostas e a votarem nos seus nomes.

Por sua vez, os eleitores têm todo o direito de votar, livremente, em quem eles querem.

Por outro lado, ninguém tem o direito de exigir o voto de um eleitor, seja por que motivo for. Muito menos por tentativa de compra do voto. Cada eleitor deveria ter a força de repudiar esta tentativa. Mas como pode acontecer a debilidade de eleitores, a própria lei, entre nós, tomou a iniciativa de proibir a compra de votos e de coibir esta prática com o remédio mais adequado, que é a cassação da candidatura.

Mas também, ninguém tem o direito de proibir que se vote em determinado candidato, seja por que motivo for. Quem deve decidir se alguém merece ser votado ou não, são os eleitores, através do voto, no dia das eleições.

Portanto, diante da urna eletrônica, cada eleitor tem o direito de conferir sua consciência e votar em quem ele quiser.

Por diversos motivos, não é bom pressionar indevidamente a consciência dos eleitores, visando forçá-los a votar em determinado candidato.

Em primeiro lugar, não é bom para a democracia que alguns decidam pelos outros. Pois tanto mais forte será a prática democrática, quanto mais os eleitores forem capazes de discernir por conta própria em quem devem votar.

Mas é pior ainda para a religião, seja qual for, pressionar seus adeptos para que votem em determinados candidatos, ou proibir que votem em determinados outros, em nome de convicções religiosas. A religião que não é capaz de incentivar a liberdade de consciência dos seus seguidores, que se retire de campo. Pois a religião não pode se tornar aliada da dominação das consciências.

Portanto, seja quem for, bispo, padre, pastor, ninguém se arrogue o direito de decidir pela consciência dos outros. Fazer isto é usurpar um espaço que é sagrado, é invadir a intimidade da consciência do outro, intrometendo-se onde não lhe cabe estar.

Assim se apresentam os princípios, que por si próprios já seriam suficientes para todos se sentirem à vontade, como eleitores livres e soberanos, com todo o direito de votar em quem cada um quiser.

Mas a gente sabe que em tempo de propaganda eleitoral a realidade se complica, por expedientes antiéticos, sobretudo pela disseminação de acusações, que visam deturpar o nome dos adversários, e tirar vantagem eleitorais.

Aí aparecem situações que precisam ser esclarecidas. É curioso, por exemplo, que as mesmas pessoas que questionavam o plebiscito sobre os limites da propriedade, alegando que ele não contava com a aprovação da CNBB, agora difundem cartas procedentes de sub-comissões, de sub-regionais, ou cartas individuais de determinados bispos ou padres, e pretendem invocar sobre estes escritos a autoridade de toda a instituição, quando o Presidente da CNBB, D. Geraldo Lyrio Rocha já esclareceu, enfaticamente, que a CNBB não apóia nenhum partido e nenhum candidato, nem igualmente proíbe nenhum partido ou candidato.

Mas dado o joio lançado na seara com astúcia de maligno, talvez fosse conveniente um novo posicionamento do Presidente da CNBB, instituição que em tantas oportunidades já deu contribuições preciosas para o processo democrático brasileiro, e cujo nome não pode agora ficar prejudicado por expedientes que destoam de sua tradição.

Portanto, cada um é livre de votar em quem quiser. Se quiser votar na Marina, vote! Se quiser votar no Serra, vote! Se quiser votar na Dilma, vote! E se quiser votar em qualquer um dos outros candidatos, vote! Mas vote livremente, levado pela decisão a que chegou por sua própria consciência.

* Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira

Eleições: a reflexão e contribuição de um padre

15 de Setembro de 2010 às 12:40 por Rosana Manzini | Postado em: IGREJA, POLITICA, fé x vida
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Tenho recebido, e acredito que voce também, uma enxurrada de emails sobre candidatos, partidos. Quase todos eles apocalípticos, ameaçadores, cheios de medo e preconceitos. Muitos emails são repassados sem reflexão prévia, poucos são aqueles que oferecem elementos para um bom discernimento. Ontem recebi um email de um padre de Curitiba, que não conheço, mas que colocou um pouco de luz nesse caos de mensagens. Creio que isto possibilita uma discussão com sanidade ética. Espero que voce também contribua nessa discussão tão importante. Partilho essa mensagem, longa, mas que vale a pena ler e pensar.

Porque a Igreja não diz em quem não votar

Irmão e Irmã na Fé que nos Une:

É longo, mas peço que, se vai responder, leia até o fim, OK? É minha posição como cristão e como cidadão brasileiro! Leia assim, e não como A PALAVRA DA IGREJA, mesmo porque, graças a Deus, não sou TODA A IGREJA:

Tenho sido importunado por correntes católicas que parecem querer me obrigar a NÃO votar neste ou naquele candidato político por causa das questões morais católicas.

Sei que ao me pronunciar sobre isto serei vítima de ataques, mas tudo bem, não tenho medo… Tenho medo sim de posições perigosas para a Igreja.

Perigosas porque, se dizemos em quem NÃO votar, acabamos dizendo em QUEM votar. E se fazemos isto estamos afirmando que este em quem votamos está plenamente de acordo com a doutrina da Igreja, está de acordo com a proposta de Jesus Cristo.

Qual é a proposta de Jesus Cristo? O REINO DE DEUS. E o Reino acontece quando Deus reina no coração das pessoas e sua vontade, que é um mundo marcado pelo AMOR, acontece em todas as dimensões da vida humana e para todas as pessoas que o desejam sinceramente. O REINO é o AMOR inflamando a vida pessoal, familiar, fraterna, comunitária, profissional, social e política.

O REINO já aconteceu para nós, em plenitude, na pessoa e na obra de Jesus Cristo. Porém, no mundo ainda não está plenamente presente. E é obrigação DOS CRISTÃOS fazer com que este REINO aconteça o mais possível na terra. O REINO é “já”, na pessoa e na obra de Jesus, mas “ainda não” em toda nossa realidade. É pra ELE que apontamos e ao mostrá-lo, mostramos o modelo de mundo que queremos e sonhamos.

Como cristãos precisamos sim defender a vida. Toda a vida, em todas as suas dimensões, em todas as suas fases. Por isso, precisamos sim lutar sempre. Precisamos formar bem nossos cristãos e ajudá-los a viver a moral que acreditamos. Essa é NOSSA OBRIGAÇÃO. Não podemos nem devemos exigir de mais ninguém além de nós mesmos que ensinemos esta moral, que a ajudemos a ser cumprida por todos os cristãos em primeiro lugar.

Pergunto: se o aborto for aprovado por este ou aquele partido, mas nossas mulheres deste país de maioria cristã se recusarem a abortar, a descriminalização do aborto vai surtir efeito? Digo gritando: NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO!

Se todos os jovens cristãos forem ajudados a viver a sexualidade de acordo com o ensinamento evangélico, e o governo continuar a distribuir camisinhas o que vai acontecer? Elas VÃO VIRAR BEXIGA PRA CRIANÇADA BRINCAR (foi o que um grupo de adolescentes católicos fez estes dias em um colégio estadual, hehehe)…

Se as famílias cristãs forem ajudadas a viver a fidelidade, por mais que se incentive o divórcio, ele vai acontecer? NÃÃÃÃOOOOOOO!!!

Porque temos a mania de jogar para o governo a obrigação que é nossa? Parece ser essa a mania de nosso povo brasileiro… Deixar para o governante fazer sozinho aquilo que TODA A POPULAÇÃO DEVERIA FAZER JUNTO.

Mas parece ser a tendência da moda dos cristãos… Não conseguimos mais ajudar todo nosso povo a viver a nossa moral. DAÍ QUEREMOS QUE O GOVERNO FAÇA AQUILO QUE É OBRIGAÇÃO PRIMEIRO DA HIERARQUIA, MAS DEPOIS DE TODO O POVO CATÓLICO. Sabe… Isso me lembra uma frase de Jesus: “Amarram pesados fardos, colocam no ombro dos outros e não o carregam nem sequer com um dedo” (Mt 23,4).

Mas essa tendência é bem antiguinha… Sabe quando começou? No século IV, com Constantino. Foi com ele que o Estado começou a se unir à Igreja. Até Concílios o Imperador convocou. E ali começou o problema das investiduras, que só foi resolvido na Idade Média com o Concílio de Latrão… Os governantes, católicos é claro, assumiram o papel dos pastores do povo e, com seus interesses políticos, escolhiam bispos, padres e até papas (graças a Deus o Espírito guia a Igreja… e juntou os caquinhos…). Quanto mal isso fez à Igreja… E no Brasil, pasmem, parte deste mal continuou até a Proclamação da República, com o fim do Regime de Padroado. Documentos papais eram filtrados pela censura Imperial. Nosso Catolicismo praticamente não conheceu as importantes reformas do Concílio de Trento por causa do maldito padroado, herança do Império português. A inquisição, tão aludida pelos que atacam a Igreja, já tinha sido condenada pela Santa Sé, mas no Brasil, Portugal e Espanha imperaram até o Século XIX – apoiado pelos Impérios… A Escravatura, condenada por todos os papas da modernidade (depois do concílio de Tento) não pode ser condenada pela hierarquia brasileira porque o IMPERADOR proibia… E sofremos, nós Igreja (não os estados), até hoje, atacados por causa da Inquisição, da escravidão e de outros males do dito ESTADO CRISTÃO. A Igreja foi usada pelos poderosos para garantir seus poderes e sua influência no meio do nosso povo.

Por isso proclamo: como foi bom pra Igreja libertar-se disso… A Igreja no Brasil, após o fim do padroado, pode crescer! Inúmeras diocese foram criadas (eram apenas de 12 até 1888…). A pastoral pode se desenvolver independente dos partidos, das ditaduras ou de quem quer que estivesse no poder. Trento pode ser aplicado e a Igreja se viu livre inclusive para ser voz profética…

Mas parece que tem gente que tem saudades de Constantino… Tem saudades do Padroado. Quando a Igreja diz em quem votar e em quem não votar, pode estar caindo no mesmo erro de dizer que este ou aquele candidato representa Deus ou o diabo… Ou pior… Pode estar sendo usada por quem, para agradar os católicos, disfarça-se de bom moço e depois não vai estar de acordo com o Reino proposto pelo Cristo.

Aliás… Não haverá candidato, partido, tendência que sejam de acordo com o Cristo… Mesmo que o nosso melhor santo seja presidente da república… Nenhum deles poderá estar à altura daquilo que Nosso Senhor quer de nós.

Não nos iludamos, irmãos. A CNBB – órgão oficial da Igreja – não disse em quem votar, nem muito menos em quem não votar. Mas tem gente querendo ser mais que os bispos e que o papa no Brasil… Tem televisões “católicas” que se acham no direito de obrigar as consciências a votar neste ou naquele. ISSO É ABUSO ESPIRITUAL… Essa gente deveria receber repreensões severas… Há inclusive bispos apoiando essa postura… Mas não a CNBB como um todo (nem o Papa).

E afirmo mais: aqui em Curitiba NOSSO BISPO É CONTRA ESSA POSTURA DE DIZER EM QUEM VOTAR OU NÃO… Portanto, quem faz o contrário não está em comunhão com ele…

Às vezes podemos votar em algum candidato que, estando de acordo com alguns pontos – importantes é claro – da moral sexual católica, esteja em TOTAL DESACORDO COM A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA. Tenho medo dos católicos ingênuos, que se deixam inflamar pelos discursos eleitoreiros de alguns candidatos (todos eles tem discurso eleitoreiro, hehehe) e votarão em partidos ou tendências pensando que são católicas, MAS ESTAVAM SÓ DISFARÇADOS. E daí, como ficaremos? Seremos de novo julgados pelas iniquidades deste partido como somos julgados pela Inquisição até hoje? Se apoiarmos cegamente apenas um partido digo que SIM. Se rejeitarmos em bloco algum partido, digo que SIM. E como as iniquidades de QUALQUER UM DESTES CANDIDATOS vai aparecer, o nome da Igreja vai pro lixo com eles. Seremos condenados pelos nossos futuros cristãos que dirão: porque a Igreja daquele tempo apoiou este candidato? (Vejam a Igreja da Argentina, como sofre, por ter apoiado a ditadura, que considerava ser o melhor modelo para o país na época…). Nenhum destes candidatos fará o Reino acontecer no Brasil, pois esta é tarefa primeira da Igreja. Não se iludam, irmãozinhos, não se iludam com nenhum deles… Nenhum deles é o Messias. Só Jesus é nosso Senhor.

Aliás… Não tenho medo de dizer: NENHUM DESTES CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA ESTÁ DE ACORDO PLENO COM A MORAL E COM A FÉ CATÓLICAS. Se fosse pra votar em algum deles por causa da regularidade com nossa moral, não votaria em nenhum.

Já dissemos, no passado, que a Esquerda era mais cristã… Já dissemos, no passado, que a Direita era mais cristã… E no fundo, NEM LÁ NEM CÁ foram cristãos de verdade…

Digo mais: e se o presidente eleito for ateu? Vamos mudar de país por causa disso? NÃO… Caso isso acontecesse, teríamos que fazer o NOSSO trabalho para que o Cristo seja conhecido e seu Reino aconteça até mesmo no Palácio do Planalto. A Igreja não tem partidos: ELA PRECISA INFLAMAR TODOS OS PARTIDOS. Precisa estar dentro do PT, dento do PSDB, dentro do PV e do PSOL para desde dentro MUDÁ-LOS para melhor. Essa deve ser a postura dos cristãos. E não podemos esperar que eles mudem pra daí a gente participar deles. Precisamos estar dentro deles para mudá-los – essa é nossa tarefa e se não o fazemos SEREMOS OMISSOS.

Lembro aqui, irmãos, uma frase do meu querido e amado Bem Aventurado João XXIII, o papa do Concílio Vaticano II. Em determinado dia, ele acolheu a filha do presidente da União Soviética. Parte da Cúria Romana de então considerava a URSS como uma grande inimiga… Alguns cardeais não queriam que o papa a acolhesse, afirmando que eram inimigos da Igreja. O papa, santo em sua sabedoria, afirmou: A Igreja de Cristo NÃO TEM INIMIGOS, porque o CRISTO NÃO TEM INIMIGOS. Eles podem se fazer nossos inimigos pela vontade deles… Nós, porém, vamos amá-los até o fim, como o fez o Cristo, para que se tornem melhores.

Como provocação final: porque não divulgamos a cartilha da CNBB? Porque não a lemos? Ela é que tem validade pra Igreja. Ao invés de partilharmos esse monte de e-mail’s apocalípticos desta ou daquela TV, deste ou daquele pastor… Porque não lemos o que a IGREJA DO BRASIL nos dá como magistério oficial?

Não tenho medo mesmo de dizer: irmão na fé! Vc é livre pra votar em quem a sua consciência mandar. Mas escolha bem! Seu voto terá consequências. Seja na esquerda, seja na direita, seja em cima, seja em baixo ou o escambal a quatro… Todos eles terão consequências positivas ou negativas para o Brasil (e não apenas para os católicos…). Pese os prós e os contras de todo projeto de país que seu candidato apresenta e só então decida em quem votar, OK?

Em Cristo e na paz com todos (até aqueles que não gostaram,

“Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, a liberdade; e em tudo, caridade” (Santo Agostinho)
PE. ALEXSANDER CORDEIRO LOPES
Vice-Reitor do Seminário São João Maria Vianney
Assessor do Setor Juventude Curitiba  -       Fone: 2105-6364

“Agradeço pelo empenho de tantas vozes dispersas até agora! Vamos juntos(as) gritar, girar o mundo. Chega de violência e extermínio de Jovens.”  Pe. Gisley, um dia antes de seu assassinato

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