A ERA DAS PEQUENAS EMINÊNCIAS

30 de Maio de 2011 às 18:52 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
| Comentários (5)

Excelente é mais do que bom. Alguém é excelente quando sua atividade, seus talentos e suas qualidades estão acima da média. Na Igreja Católica dá-se o título de “Excelência” aos bispos. “Eminência” é título dado a dignitários eclesiásticos que se distinguiram em alguma liderança e foram nomeados cardeais. São estes irmãos chamados cardeais que, por exemplo, elegem o Papa. Eles sabem do seu limite e das exigências da Igreja. A quem mais se confiou deste exige-se mais!…

Nos últimos 30 anos no Brasil, com o crescer da mídia tenho observado outro tipo de eminências. São até excelentes e acima do comum no que fazem, e certamente mereceriam reverências e vênias, porque, por seu trabalho na mídia estenderam o púlpito da Igreja. Só por isso já mereceriam aplausos.

Quem atua na mídia sabe que não é simples nem fácil manter uma emissora de rádio ou de televisão e atuar nela todos os dias. Quem não atingiu a fama, tendo ou não procurado este destaque, não tem idéia dos meandros e das curvas e ciladas de um microfone, uma câmera ou um palco. E as piores ciladas começam dentro do pregador que acha que é o que não é, e que insiste em chamar os holofotes para a sua pessoa. E pobre de quem ousar fraternalmente chamá-lo às falas ou negar-lhe o espaço que ele acha que pode e merece ocupar… Nem cardeais escolhidos pelo Papa são tão ciosos de seu papel de eminência…

Refiro-me a pelo menos dez entrevistas de teólogos, cantores e padres famosos que, nessas últimas décadas, foram à grande mídia não católica ou até anti-católica, lavar a roupa suja de seus conflitos contra seu bispos, contra o papa, contra outras pastorais e contra outros padres. Não se contentaram com os foros que há na Igreja para resolver tais diferenças. Deram entrevistas em páginas amarelas de revistas de grande alcance, em programas de grande repercussão na televisão para justificar suas escolhas, seu casamento, sua rebeldia e seu jeito de ser famosos.

Quem leu a revista “Veja” de 17 de abril de 2011 teve ali um triste exemplo de imaturidade e do que significa sentir-se mais eminente do que se é. É o tipo de entrevistas que deveria ser lida e analisada em todos os seminários e movimentos católicos para os futuros pregadores aprenderem como não ser nem fazer quando tiverem nas mãos um microfone. Chega a ser patética…

O ainda jovem, mas ultra-famoso sacerdote que vendeu milhões de discos e livros, vai a público e confessa sua mágoa e indignação, passados quatro anos, contra a diocese e alguns líderes da mesma que, segundo ele, o humilharam e boicotaram, não lhe permitindo o destaque que ele achou que merecia quando o Papa esteve entre nós no Brasil.

Foram palavras dele na entrevista até agora não desautorizada por ele. Culpa aqueles líderes por sua quase depressão, porque negaram-lhe a realização do sonho de estar diante do Papa. Acabaram escolhendo outro e relegando-o a uma atuação secundária, ao amanhecer, em lugar onde havia poucas pessoas. Acusou-os de dor de cotovelo. Por que outros e não ele que fez tanto pela Igreja?

Mesmo depois de, mais tarde, haver recebido em Roma um prêmio de excelente evangelizador não se aplacou. Pela segunda vez diante da grande mídia, ainda magoado disse que interpretava aquele prêmio como “um cala boca” à diocese que não lhe dera o devido destaque na vinda do Papa quatro anos antes, ao Brasil. Em dado momento reclama que dos padres do Brasil apenas um ligou para cumprimentá-lo pelo prêmio. E dá a entender que não precisa do apoio deles… E declara que ainda espera uma manifestação da CNBB por sua conquista… Psicólogos dariam um nome para esse tipo de atitude…

Tudo, dito com realces de que é humilde, não é arrogante, é padre e usa batina; e com ataques pesados aos padres que não usam batina, deixando claro que a batina protege o padre contra o assédio das mulheres… Chega ao ponto de dizer que a batina é a “maior identidade sacerdotal”. Ora, padres e leigos sabem muito bem que o hábito não faz o monge. Confunde uniforme com identidade e identificação com identidade… Vão por aí as diatribes e o desfile de suas mágoas contra o boicote sofrido…

Mas ele não é o único. Há ex-religiosos famosos que falam contra as ordens e congregações que pagaram seus estudos, dizendo que lá não podiam exercer a caridade nem cuidar de sua família… Outros chamaram a gravadora católica, onde começaram, de incompetente ou de gravadora de fundo de quintal… E houve quem não hesitou em dizer que no Vaticano foi tratado com truculência. Como ninguém esteve lá para ver, fica a palavra dele contra o Vaticano que não costuma dar esse tipo de entrevistas-resposta aos padres insatisfeitos que atacam suas doutrinas ou disciplinas. Não satisfeitos em discordar, semeiam discórdia!

O fato triste e digno de um debate é que pregadores estão indo à mídia lá fora, lavar a roupa suja de seus conflitos com as autoridades de sua igreja. Não são poucos os que deixam as comunidades religiosas que os formaram para trabalhar como gostam e no que gostam, numa outra diocese. E vão sem a menor culpa. E há os que mudam de diocese, para estar diante de microfones e câmeras, ou para tocar adiante seu projeto pessoal que acham mais importante para a Igreja do que os projetos do grupo religioso onde pronunciaram seu voto de obediência…

| Diante das exigências de seu grupo que, agora, depois da oportunidade de ser eminentes lhes parecem absurdas, simplesmente saem em busca de um púlpito mais aberto às suas aspirações. Talvez estejam certos, talvez não! Mas a ingratidão com que se portam, mostra que escolheram a si mesmos e o seu projeto. Não há retribuição…

O que deve ser objeto de reflexão é a franca disposição de pressionar o bispo, a diocese ou a ordem a reconhecer os seus talentos. Valem-se de todos os meios, inclusive a estratégia de expor para o país inteiro seu conflito pessoal com as dioceses onde atuam. O bispo, que não é tão famoso, acaba em situação delicada. Não pode falar o que sabe e não pode expor ainda mais o pregador que já se expôs além da conta! O padre queixoso aparece como vítima que até cai em depressão, porque a diocese não reconheceu a sua liderança…

Está tudo claro e sem rodeios nas entrevistas tipo lavanderia! Na era das eminências que mais do que auto-estima vivem um clima de altíssima estima de si mesmos, um pouco de ascese não faria mal aos futuros comunicadores da fé. Se não forem reconhecidos, com ou sem batina ou colarinho, mostrem que realmente têm fé e seguem os evangelhos. Perdoem e recolham-se à sua significância que nunca será insignificância, mas que também não pode ser supra-relevância.

Ficar deprimido porque não foi valorizado na vinda do Papa? Um pregador da fé? Não teria sido muito mais cristão manter a boca fechada, solicitar audiência, ir ao líder da diocese e ali derramar suas mágoas? Tinha que ir às páginas amarelas de uma revista que sabidamente não prima em elogiar a Igreja que o ordenou pregador? Francamente! Institua-se urgentemente nos seminários desde o primeiro ano um curso de Prática e Crítica de Comunicação. É que algumas atuações têm andado abaixo da crítica!…

25/05/2011 – Texto de um dos autores católicos mais lidos e cantados do Brasil e do mundo. Autor de mais de 300 obras, entre livros, Cd`s, e vídeos; colaborador de mais de 50 revistas e jornais católicos, aceito por outras igrejas, conhecido em vários países, um dos pregadores cristãos mais reconhecidos do Brasil, seu apelido carinhoso é PADRE ZEZINHO SCJ, mística da pequenez que assumiu já nos primeiros anos de padre e seu nome é JOSÉ FERNANDES DE OLIVEIRA.

Fonte: http://www.padrezezinhoscj.com/novosite/index.php

5 Comentários »

  1. quanta coragem do Pe Zezinho!!! Mas o texto, como todos os demais textos dele está excelente, e infelizemente, retrata o que vemos por aí hoje em dia. Gostaria muito, de neste comentário poder dizer que o texto está totalmente sem nexo e por fora da realidade de nosso tempo, mas, é o que vemos por aí, padres artistas que deveriam estar estampando o Cristo ressuscitado no meio do mundo, mostrando um auto-retrato, com seus corpos definidos e roupas escandalosas. Me pergunto, o certo não seria, através de seu carisma, suas músicas, livros, enfim sua arte retratarem o amor de DEUS?
    Não acho errado a maneira que escolheram para transmitirem a verdade do Pai, mas, é errado a maneira de tentarem se aparecerem mais do que o PAI.
    Rosana, sou sua fã a cada dia mais! =)

    Comentário por Mariane de Almeida Silva — 2 de Junho de 2011 @ 3:08

  2. Quando li o texto disse que homem corajoso falar estas coisas é preciso confiar no seu taco… o padre do enredo citado por pe.zezinho veio a minha cidade e na entrevista a tv local não parou de falar dos milhões de livros vendidos e do prêmio que ganhou do papa joão pauloII mas depois varias pessoas sairam falando mal dele pq só deu entrevista pra uma unica emissora a maior daqui de são luis. Não gosto de ver as pessoas falando mal de padres mas tem uns que fazem por onde.
    que os padres repensem a maneira de comunicar Deus e de aparecerem nos meios de comunicação.

    abraços rosana!!

    Comentário por marcia — 8 de Junho de 2011 @ 2:05

  3. que todo católico que é liderança leia e pense no que faz em sua comunidade…

    Comentário por antonio marcos — 13 de Julho de 2011 @ 22:21

  4. Oi Rosana,
    eu acabei de conhecer este site. E gostei muito.
    Sobre o Pe. Zezinho, não tenho palavras. Eu o acho a pessoa mais “católica e cristã” do mundo. Ele é uma pessoa aberta ao diálogo e ao ecumenismo. Mas não arreda um passo do catolicismo.
    Sobre o padre citado na artigo dele, é triste. Eu concordo com o padre Zezinho em gênero, número e grau. Eu tinha lido a Revista Veja e achei triste a entrevista. O padre esta muito ressentido. Aqui em Goiânia, temos um casa muito parecido com este. Recentemente o bispo o tirou da “sua paróquia” e teve várias pessoas que se manifestaram e acharam ruim. Mas é verdade que o povo não sabe o que este “padre famosos” fazem com os bispos. Eu sei de várias histórias de desmandos, desobediencia, falta de escuta do superior e até de birra mesmo. É triste. E a verdade é que a Igreja é infinitamente maior que estes padre “famosos”. Eu espero que eles não enganem o povo.
    É isso. E vamos a reza. Por todos nós.
    Abraços.

    Comentário por Murilo — 8 de Agosto de 2011 @ 3:40

  5. Oi Murilo,

    obrigada pela contribuição. Apareça sempre, boas reflexões são sempre benvindas!

    rosana

    Comentário por Rosana Manzini — 8 de Agosto de 2011 @ 12:45

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