14 de março: ANIVERSÁRIO DE PE. LÉON DEHON

28 de Fevereiro de 2011 às 18:50 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
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Este texto foi retirado do Blog do Pe. Joãozinho, diretor geral da Faculdade Dehoniana, onde exerço minha missão de ensinar/educar/aprender no espírito da cordialidade.

No dia 14 de março celebramos o nascimento de Padre Léon Dehon (1843-1925), fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Este ano o Governo Geral da Congregação preparou uma interessante “entrevista” a partir dos escritos de Dehon.
Padre Joãozinho, scj on fevereiro 28th, 2011

Para maiores informações: http://www.dehon.it/

Reverendo Padre Dehon, celebraremos brevemente o 168° aniversário do seu nascimento. Talvez seja ocasião para examinar, com certa distância, alguns temas que, como fundador, tinha particularmente a peito no seu tempo.

Caro confrade, a minha idade já não me permite entrevistas muito longas. Se puder limitar-se a alguns temas centrais…

Comecemos por uma pergunta muito simples: que ano foi para si, como fundador de uma congregação, o mais difícil?

Sabe, como fundador de uma congregação religiosa era permanentemente confrontado com problemas: a salvaguarda da independência da Congregação em relação à diocese era uma luta contínua; os problemas financeiros acompanharam-me até ao fim da minha vida; o reconhecimento por Roma foi extremamente difícil; as qualidades dos novos confrades, muitas vezes, deixavam a desejar. São problemas que fazem parte da vida de uma jovem Congregação. Creio que os enfrentámos e resolvemos todos bem. Porém, os confrontos sobre a orientação e o perfil a dar à Congregação foram causa de desilusão e tiveram as suas consequências. Neste sentido para mim, como fundador, o ano de 1897 foi o mais difícil.

Mas o ano de 1897 foi também um ano grande para si! As conferências em Roma sobre a perspectiva cristã da sociedade, que tiveram eco até em França; o seu empenho em favor da Democracia Cristã e da aceitação da república pelos católicos franceses, em congressos, artigos e muitos encontros com grandes figuras do catolicismo francês; a sua eleição para o conselho nacional da Democracia Cristã no congresso de Leão; a publicação dos seus livros Nos Congrès e Les Directions pontificales…

Sim, sim, tudo isso é verdade. Mas fez-me uma pergunta sobre um ano difícil como fundador de uma congregação. É claro que se pode dizer que 1897 foi para mim um ano muito rico de sucessos. Senti-me efectivamente bem. Como fundador, era meu desejo que a Congregação participasse e se empenhasse mais intensamente nos desafios actuais referentes ao mundo social e à sociedade no seu conjunto. A pastoral dos operários à volta do Padre Charcosset em Val-des-Bois fazia parte das nossas primeiras actividades. O Padre Rasset ocupou-se durante muitos anos dos jovens operários, em S. Quintino. Em 1891 dirigi-me inclusivamente por carta ao papa Leão XIII e informei-o sobre o projecto que a nossa Congregação alimentava de formar, antes de mais nada, confrades destinados ao apostolado específico nas grandes fábricas e nos bairros operários, e que deveriam prosseguir a sua formação tanto na universidade como na fábrica de Val-des-Bois.

Ainda em 1895, numa conversa com o Papa, falei-lhe de nós como uma Congregação que tinha como prioridades a evangelização do mundo social, a pastoral entre os operários e a Missão. Mas, não muito depois de 1897, tive de verificar que a maioria dos confrades não partilhava esta perspectiva e talvez nem a pudesse partilhar.

Mas já antes do começo dos anos 90, por exemplo, havia resistências contra si como superior geral.

É verdade. No capítulo geral de 1893 alguns confrades tentaram evitar a minha reeleição como superior geral. Nessa altura, acusavam-me de um governo defeituoso da Congregação. A tentativa não resultou por pouco, mas as tensões no interior da Congregação permaneceram. Em 1897 houve nova tentativa de cisão, que também falhou. Mas, desta vez, ficou claro que já não se tratava das minhas qualidades de governo. Estava em jogo, sim, o perfil da nossa Congregação e, pode dizer-se, do nosso próprio carisma.

Está a pensar na carta do Padre Blancal e de outros cinco confrades?

Exactamente. Na realidade, era mais um manifesto que uma carta. No fundo era um escrito muito honesto no qual se evidenciavam os problemas. Para os autores estava em jogo a pergunta sobre a verdadeira vocação da nossa Congregação. Tinham entrado numa congregação que, a seu ver, era sobretudo consagrada à santificação pessoal por meio da devoção ao Sagrado Coração no sentido da reparação pelas numerosas ingratidões, sobretudo dos sacerdotes e religiosos, para com o Amor divino. No que se refere ao apostolado, privilegiava-se a adoração eucarística perpétua, as missões nas paróquias e os exercícios espirituais. Tudo o resto era, conforme as suas palavras, algo de secundário que se podia dispensar. Eles julgaram que esta vocação fora atraiçoada por mim, devido ao rápido crescimento da Congregação, à expansão em países distantes, ao empenho nas questões sociais mais actuais. Por isso, logicamente exigiam uma separação.

Mas, apesar de tudo, também esta tentativa de cisão falhou. Bem depressa alguns dos signatários pediram desculpa. No fim, venceu Leão Dehon, não é verdade?

O importante não era vencer ou ser vencido, mas definir o modo específico como a nossa Congregação devia servir a Igreja e o mundo. Nos primeiros anos, depois da fundação, teria provavelmente dado a minha aprovação incondicionada à descrição da nossa vocação feita pelo Padre Blancal e pelos outros confrades. Mas creio que, nesse tempo, ainda não tínhamos compreendido aquilo que Deus queria com e por meio desta Congregação.

E, depois da carta do Padre Blancal, ficou mais claro o que o Senhor Padre considerava ser o carisma da Congregação?

Com essa carta, dei-me conta que este e muitos outros confrades não tinham compreendido muito bem o meu caminho e não queriam segui-lo como caminho da Congregação. Havia motivações profundamente enraizadas na espiritualidade, na experiência de fé de cada um. Hoje, tudo isto é bem mais claro para mim do que então! A meu ver, o empenho na política, o empenho em favor de uma sociedade mais justa, a vontade de promover sacerdotes dedicados ao mundo do trabalho não eram coisas acessórias, que se podiam fazer ou deixar de fazer, sem tocar o núcleo da nossa vocação.

Mas talvez muitos confrades pensassem que este empenhamento social e político era, por assim dizer, a sua paixão pessoal, mas não algo específico para a Congregação?

A carta do Padre Blancal mostra que os confrades tinham compreendido muito bem que este compromisso haveria de caracterizar igualmente a nossa Congregação. Depois de 1897, calei-me sobre isso. Só em 1912, cerca de trinta e cinco anos depois da fundação da Congregação, escrevi uma carta a todos os confrades, que é, por assim dizer, o meu testamento espiritual, onde, mais uma vez, evidenciava que tinha a peito dois apostolados: levar os homens ao Amor do Coração de Jesus e promover uma sociedade mais justa sobretudo em favor dos operários e dos pequenos. Só mais tarde pude compreender quanto estes dois ideais faziam parte de mim e quanto eram inseparáveis, ainda que os tenha vivido já nos anos 90, que foram muito activos para mim. Muitos confrades, todavia, descuraram uma pequena palavra nestas frases.

Que palavra seria essa?

A palavra “E”. Muitos confrades são piedosos e activos na pastoral paroquial. Alguns no decurso da nossa história lançaram-se com muita generosidade ao serviço dos mais pequenos e dos que sofrem. Mas muito poucos se dedicaram de modo competente ao aprofundamento da doutrina social, aos caminhos e à análise da nossa sociedade. Com frequência os confrades se decidem por um ou por outro apostolado. Para mim, os dois são inseparáveis.

Muitos homens, também confrades, perguntarão, ainda hoje, que tem a ver o empenho social com a piedade.

A minha convicção e a minha experiência diziam-me sempre o mesmo: o Amor de Cristo quer mudar todo o mundo, tanto o pequeno mundo do privado como as realidades sociais mais amplas. Seria certamente mais simples limitar-se à pastoral nas paróquias e nas missões populares. Teria sido certamente mais fácil dizer: a sociedade avança por um caminho errado; não podemos alinhar com ela. Mas, se assim pensássemos, estaríamos a ser fiéis às expectativas e à dinâmica de Cristo? Creio que não.

Durante muito tempo, o Senhor Padre apontava para uma sociedade guiada por um monarca cristão como fora pedido nas visões de Margarida Maria Alacoque.

Eu mesmo, durante muito tempo, sonhei coisas que, enfim, tinham ficado para trás. Pensei com saudade nos bons velhos tempos, quando o cristianismo condicionava cada fibra da vida social. Sim, esse pensamento conserva, ainda então, algo de fascinante para mim. E, durante muito tempo, estive ao lado dos católicos que se empenhavam no regresso à sociedade de outrora. Nesse tempo, eram chamados contra-revolucionários. Mas Cristo viveu o presente, amou-o, mudou-o e melhorou-o. No ano de 1900, perguntei aos sacerdotes num congresso em Bourges: amámos suficientemente a nossa sociedade de hoje, ou afastámo-nos dela, amuados? A pergunta continua em aberto.

Parece que, ao longo da sua vida, teve uma notável evolução.

É isso mesmo. Como estudante e jovem sacerdote, fui um ardente defensor da monarquia. Mas o preço dessa atitude teria sido alto; com o tempo, isso tornou-se claro para mim. Porque o mais importante não é que um país seja governado por um monarca, por um presidente ou por um parlamento. O mais importante é saber se a justiça e a solidariedade asseguram a todos uma vida digna. O povo, na França, queria a república; a minha missão era lutar por uma república que tivesse, o mais possível, cunho cristão, e onde a Igreja fosse reconhecida como aliada dos fracos, sobretudo dos operários, e das suas esperanças de justiça.

Se compreendi bem, caro P. Dehon, teve de pagar um alto preço por esse empenho: amigos que o abandonaram, confrades que não o compreenderam…

Quando era jovem estudante e jovem sacerdote, nunca imaginei que um dia viria a ser criticado e afastado por um bispo que me acusou de “republicano obstinado”. Sim, os abbés démocrates como Lemire, Naudet, Six, eu mesmo e outros não éramos bem vistos em muitos sectores do mundo católico da França. Até mesmo com homens como La Tour du Pin, de quem eu era amigo, os contactos se tornaram cada vez mais escassos, porque ele permanecia monárquico e não queria sujar as mãos na nova sociedade. Quando leio hoje o que escrevi nos anos 90, em artigos, discursos, cartas e livros, fico surpreendido eu mesmo com a minha evolução e com a clareza das minhas tomadas de posição. Mas, repito: Cristo nunca se refugiou num gueto social ou assumiu uma atitude  amuada perante a sociedade. Se assim tivesse feito, poderia ter renunciado imediatamente à Incarnação. Pelo contrário, pôs-se ao lado dos homens simples, dos desprezados e dos marginalizados. Foi o que eu procurei fazer.

Mas com o seu “SIM” comprometido à república francesa, com a sua atenção em favor da Democracia Cristã, no fundo, não atraiçoou o espírito de Paray-le-Monial e de Margarida Maria Alcoque?

A mensagem de Paray-le-Monial foi, desde o princípio, uma mensagem muito política. Na sua carta ao rei de França, Margarida Maria Alacoque fala muito claramente de uma devoção ao Sagrado Coração que seja relevante e efectiva para a sociedade. Não há qualquer vestígio que a reduza à esfera privada. Mas Margarida Maria ainda não se tinha confrontado com uma sociedade em que o acesso ao poder e o seu exercício funcionassem totalmente separados da Igreja e os monarcas já não tivessem qualquer função. Tornou-se muito claro para mim que só ao lado do povo, numa república por ele desejada, seria possível permanecer fiel à relevância social da devoção ao Coração de Jesus, como fora pedido por Margarida Maria Alacoque. Não, não atraiçoei Margarida Maria. Talvez tenha dado um passo em frente. Mas, havia outra possibilidade, num mundo que, desde Margarida Maria, dera tantos passos em frente?

http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/

“MANUAL DE INSTRUÇÕES PARA SER CRISTÃO NA ERA DO FACEBOOK”

1 de Fevereiro de 2011 às 18:02 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
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Por Jesús Colina

ROMA, terça-feira, 1º de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – Verdade e autenticidade são o programa e o manual de instruções que Bento XVI oferece aos cristãos presentes na internet e nas redes sociais, explica Guillaume Anselin, especialista em comunicação de marcas e instituições.

Nesta entrevista, Anselin, que já trabalhou em cargos executivos de alguns dos mais importantes grupos de mídia, como McCann EricksonOgilvyPublicis, comenta com ZENIT a mensagem que o Papa enviou por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais.

ZENIT: “As novas tecnologias não mudam apenas a maneira de se comunicar, mas a própria comunicação”, diz Bento XVI. Estamos diante de uma pós-cultura?

Guillaume Anselin: O Santo Padre assinalou que “criou uma nova forma de aprender e de pensar, bem como novas oportunidades para estabelecer relações e criar laços de comunhão”. Isto não só se refere ao canal internet, mas a uma nova “era digital”, sinal de uma nova cultura em que já entramos.

A era digital é uma sociedade de “tudo-comunicação”, permanentemente conectada, que redefine a relação individual com o mundo, com os outros e a maneira de consumir ou produzir informação. Nesta era “digital”, a informação circula principalmente através de “círculos sociais”, com o risco de dar mais crédito ao que está mais estendido (“popularizado” pelos “amigos” reais ou virtuais) que às fontes oficiais. O perigo é, obviamente, uma visão distorcida da realidade.

Implica também a abolição das fronteiras e distâncias, uma cultura da imagem ao invés da escrita, uma sociedade “de conversação”, na qual o conteúdo é o próprio objeto da conversa em grande escala.

É um fenômeno cultural inédito e recente: social, midiático, de informação imediata, que não deixa tempo para respirar, com suas comunidades de interesse e cerca de dois bilhões de pessoas online em todo o mundo. Basta lembrar que, há seis anos, FacebookYouTubeTwitter, tão presentes em nossa vida diária, não existiam.

No caso de países de cultura midiática intensa, podemos falar efetivamente de pós-cultura, no sentido de uma mudança em direção a uma “sociedade digital”.

ZENIT: “Os jovens estão experimentando essa mudança na comunicação com todas as aspirações, as contradições e a criatividade daqueles que se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas experiências de vida”, explica o Papa. Quais são os riscos e desafios disso?

Guillaume Anselin: A era digital implica, obviamente, em um salto geracional. A televisão dos nossos pais já não é a de hoje. Com o advento do “tudo multimídia”, há uma forte migração do público jovem para o mundo digital (internet, celular etc.). Amanhã haverá gerações inteiras que terão conhecido desde sempre o Facebook como o principal canal de proximidade para informar-se, falar ou encontrar-se.

A internet exerce um fascínio: nela temos um meio pessoal no qual eu posso construir a identidade que eu quiser, conter-me com os outros, estar “conectado” e falar sobre o que eu quiser e com quem eu quiser. Um lugar no qual eu posso criar algo, mergulhar em universos pré-existentes, jogar, ouvir música, ver vídeos, ler…

A internet é vista como o “último mundo livre”, democrático, pois permite a expressão de qualquer opinião minoritária, sem obrigações nem consequências… e em aparente segurança para quem a utiliza.

O perigo, como explica o Papa, é o a coexistência de duas identidades, uma digital (um avatar de si próprio) e outra real, assim como duas vidas paralelas: uma real e contingente e outra virtual e fácil, apesar de ser também muito real, pois ocupa uma parte importante da minha vida.

O desafio é a construção da pessoa, sua unidade de vida, e a formação da consciência, graças a uma utilização equilibrada da internet no que ela tem de melhor: um maravilhoso instrumento prático e lúdico, quando sabemos utilizá-lo. Pois encontrar uma informação na internet não significa sempre encontrar uma solução.

ZENIT: “Existe um estilo cristão de presença também no mundo digital”, afirma o Papa, convidando o cristão a “dar testemunho coerente” do Evangelho na era digital. Como responder a este convite do Papa?

Guillaume Anselin: O Papa nos oferece um programa e um manual de instruções muito claro: a verdade e a autenticidade. Em questão de estratégia de comunicação, não poderia fazer uma proposta melhor! É um incentivo a comprometer-se sem ter medo e com lucidez. Podemos ficar com três aspectos importantes para o comunicador cristão:

1. Em primeiro lugar, a verdade antes de tudo, pois, em matéria de fé, nós, nós, cristãos, não temos nada melhor a oferecer em resposta a essa sede inscrita no coração dos homens. Em uma época cada vez mais saturada de informação, isso quer dizer estar presente e dar razões: fontes fiáveis da doutrina (visíveis, com uma linguagem acessível) e testemunhar com simplicidade aquilo em que cremos e a maneira como o vivemos, com os meios à nossa disposição (a informação, a narração, os vídeos, fóruns, blogs etc.).

Implica também em restabelecer um equilíbrio no ecossistema digital e dar aos jovens dois elementos essenciais: o direito de saber e de escolher. Ser cooperatores Veritatis(colaboradores da Verdade, slogan de Bento XVI, N. da R.) para anunciar o Evangelho e favorecer um encontro pessoal com Jesus, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Em outras palavras: não estar decididamente presente no continente digital é uma contraverdade. É um dever de justiça e um serviço à caridade em um mundo em aceleração, no qual frequentemente se procura apagar a dimensão espiritual e o valor da mensagem cristã.

2. Para conseguir isso, o Santo Padre nos oferece o manual de instruções: é preciso ser autêntico (…), com coerência, constância, para entrar em diálogo com o Outro. Ser o que somos, sem ceder no fundamental, com uma escuta ativa, para ser tudo para todos.

Como Bento XVI nos disse várias vezes, o estilo cristão não procura agradar, correndo o risco de desvirtuar aquilo que recebemos. Nossa comunicação é afirmação alegre, positiva… e delicada. É também coerente e social, pois se integra nas culturas da nossa época. É evangelização, para tocar os corações e as inteligências. É unidade, para apoiar todas as realidades pastorais e eclesiais.

Mas o Santo Padre nos alerta também sobre a tentação do “tudo digital”, pois as tecnologias devem permitir a aproximação de uma prática de fé, vivida em nossas comunidades cristãs, na Igreja.

3. A verdade, por último, merece uma nova atitude. Por este motivo, Bento XVI conclui convidando-nos a uma “criatividade responsável” e a um sentido de “escrupuloso profissionalismo”. São necessárias habilidades particulares, pois a internet exige hoje uma atitude totalmente profissional e meios adequados. Temos de construir as catedrais do saber, os átrios e as ágoras do continente digital… formados por avenidas e praças, mas também por cantos nos quais as pessoas se perdem.

ZENIT: “Manter vivas a questões eternas sobre o homem.” Como diz Bento XVI, a busca de sentido e respostas sobre a fé e a vida é intensa entre os nossos contemporâneos. O que o continente digital oferece, neste sentido?

Guillaume Anselin: A oferta é diversificada, mas também altamente fragmentada. Muitas iniciativas têm dificuldade em encontrar o seu público devido à falta de recursos, à oferta editorial, ou porque é difícil ir além dos públicos tradicionais. Para entrar em um site católico, é preciso sê-lo, pelo menos um pouco…

A força dos grandes projetos na internet é sua dimensão claramente multimedial e uma inteligência conectiva, a partir de uma necessidade claramente identificada. No campo da fé, faltam iniciativas nas quais, muito além de publicar notícias de atualidade, sejam oferecidas respostas simples nos formatos mais variados às questões levantadas pelas pessoas sobre a fé, a vida e a sociedade.

Temos de responder a esta questão eterna do homem, do seu anseio de transcendência, com projetos grandes, interativos, que transmitam o que recebemos.

É preciso responder ao “porquê” e ao “como” com criatividade, modernidade e apoiar o trabalho pastoral das pessoas, como sacerdotes, educadores, religiosos, catequistas e todos aqueles que no mundo investem suas energias na produção de blogs e sites.

No fundo, não é nada novo: assim como os cristãos se comprometeram, há tempos, a favor do progresso das sociedades em nossas cidades e campos, da mesma forma, o continente digital espera também nossa presença visível, serena, à altura dos desafios desta “sociedade digital”.

http://www.zenit.org/p-27142