26 ANOS DE UM GRANDE APRENDIZADO !

22 de Setembro de 2010 às 17:51 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
| Comentários (3)

Não te digo parabéns, te digo MUITO OBRIGADA!.

Obrigada pelos 26 anos de aprendizado contigo. Voce me ensinou e me ensina muitas coisas seja com tua alegria, seja com tuas crises. Com voce tive que aprender a ser mais velha mesmo quando era jovem. Com voce tive que aprender a ter paciência ainda quando era impaciente, tive que aprender a ler teus pensamentos quando ainda queria que lessem os meus. Com voce aprendi que tinha que confiar mesmo quando duvidava, tive que aprender a me calar quando tinha vontade de dizer tantas coisas. Com voce e com teu irmão tive que aprender a ser mãe.  Aprendi tanto com voce nesses 26 anos, filha. Só uma coisa eu já tinha quando voce nasceu, Amor…… eu te amei mesmo antes de voce nascer.
Obrigada pela tua alegria, pelas gargalhadas e pela menina que voce foi e pela mulher que voce está se tornando. Que o tempo que nos resta seja de intenso amor e partilha e que não esqueça do mais importante ensinamento, confie em Deus e entregue tua vida em Suas Mãos. Ele saberá te  indicar a estrada justa.
beijo do tamanho do meu amor

“Pela Liberdade de Consciência” – Dom Demétrio Valentini

18 de Setembro de 2010 às 20:46 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
| Comentários (4)


Estamos mesmo em um momento de uma enxurrada de emails trazendo desde textos horríveis a textos extraordinários. Posto este de Dom Demétrio Valentini. Tenho certeza de que será um texto que nos ajudará em nosso discernimento

Pela liberdade de consciência

Dom Demétrio Valentini*
Algumas observações se fazem oportunas, no contexto do processo eleitoral que estamos vivendo. Em meio ao bombardeio diário da campanha, sempre é bom tomar a devida distância, para captar com clareza os critérios a serem levados em conta para iluminar a decisão de cada eleitor.

Os candidatos têm todo o direito de tentar convencer os eleitores a apoiarem suas propostas e a votarem nos seus nomes.

Por sua vez, os eleitores têm todo o direito de votar, livremente, em quem eles querem.

Por outro lado, ninguém tem o direito de exigir o voto de um eleitor, seja por que motivo for. Muito menos por tentativa de compra do voto. Cada eleitor deveria ter a força de repudiar esta tentativa. Mas como pode acontecer a debilidade de eleitores, a própria lei, entre nós, tomou a iniciativa de proibir a compra de votos e de coibir esta prática com o remédio mais adequado, que é a cassação da candidatura.

Mas também, ninguém tem o direito de proibir que se vote em determinado candidato, seja por que motivo for. Quem deve decidir se alguém merece ser votado ou não, são os eleitores, através do voto, no dia das eleições.

Portanto, diante da urna eletrônica, cada eleitor tem o direito de conferir sua consciência e votar em quem ele quiser.

Por diversos motivos, não é bom pressionar indevidamente a consciência dos eleitores, visando forçá-los a votar em determinado candidato.

Em primeiro lugar, não é bom para a democracia que alguns decidam pelos outros. Pois tanto mais forte será a prática democrática, quanto mais os eleitores forem capazes de discernir por conta própria em quem devem votar.

Mas é pior ainda para a religião, seja qual for, pressionar seus adeptos para que votem em determinados candidatos, ou proibir que votem em determinados outros, em nome de convicções religiosas. A religião que não é capaz de incentivar a liberdade de consciência dos seus seguidores, que se retire de campo. Pois a religião não pode se tornar aliada da dominação das consciências.

Portanto, seja quem for, bispo, padre, pastor, ninguém se arrogue o direito de decidir pela consciência dos outros. Fazer isto é usurpar um espaço que é sagrado, é invadir a intimidade da consciência do outro, intrometendo-se onde não lhe cabe estar.

Assim se apresentam os princípios, que por si próprios já seriam suficientes para todos se sentirem à vontade, como eleitores livres e soberanos, com todo o direito de votar em quem cada um quiser.

Mas a gente sabe que em tempo de propaganda eleitoral a realidade se complica, por expedientes antiéticos, sobretudo pela disseminação de acusações, que visam deturpar o nome dos adversários, e tirar vantagem eleitorais.

Aí aparecem situações que precisam ser esclarecidas. É curioso, por exemplo, que as mesmas pessoas que questionavam o plebiscito sobre os limites da propriedade, alegando que ele não contava com a aprovação da CNBB, agora difundem cartas procedentes de sub-comissões, de sub-regionais, ou cartas individuais de determinados bispos ou padres, e pretendem invocar sobre estes escritos a autoridade de toda a instituição, quando o Presidente da CNBB, D. Geraldo Lyrio Rocha já esclareceu, enfaticamente, que a CNBB não apóia nenhum partido e nenhum candidato, nem igualmente proíbe nenhum partido ou candidato.

Mas dado o joio lançado na seara com astúcia de maligno, talvez fosse conveniente um novo posicionamento do Presidente da CNBB, instituição que em tantas oportunidades já deu contribuições preciosas para o processo democrático brasileiro, e cujo nome não pode agora ficar prejudicado por expedientes que destoam de sua tradição.

Portanto, cada um é livre de votar em quem quiser. Se quiser votar na Marina, vote! Se quiser votar no Serra, vote! Se quiser votar na Dilma, vote! E se quiser votar em qualquer um dos outros candidatos, vote! Mas vote livremente, levado pela decisão a que chegou por sua própria consciência.

* Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira

Eleições: a reflexão e contribuição de um padre

15 de Setembro de 2010 às 12:40 por Rosana Manzini | Postado em: IGREJA, POLITICA, fé x vida
| Comentários (6)

Tenho recebido, e acredito que voce também, uma enxurrada de emails sobre candidatos, partidos. Quase todos eles apocalípticos, ameaçadores, cheios de medo e preconceitos. Muitos emails são repassados sem reflexão prévia, poucos são aqueles que oferecem elementos para um bom discernimento. Ontem recebi um email de um padre de Curitiba, que não conheço, mas que colocou um pouco de luz nesse caos de mensagens. Creio que isto possibilita uma discussão com sanidade ética. Espero que voce também contribua nessa discussão tão importante. Partilho essa mensagem, longa, mas que vale a pena ler e pensar.

Porque a Igreja não diz em quem não votar

Irmão e Irmã na Fé que nos Une:

É longo, mas peço que, se vai responder, leia até o fim, OK? É minha posição como cristão e como cidadão brasileiro! Leia assim, e não como A PALAVRA DA IGREJA, mesmo porque, graças a Deus, não sou TODA A IGREJA:

Tenho sido importunado por correntes católicas que parecem querer me obrigar a NÃO votar neste ou naquele candidato político por causa das questões morais católicas.

Sei que ao me pronunciar sobre isto serei vítima de ataques, mas tudo bem, não tenho medo… Tenho medo sim de posições perigosas para a Igreja.

Perigosas porque, se dizemos em quem NÃO votar, acabamos dizendo em QUEM votar. E se fazemos isto estamos afirmando que este em quem votamos está plenamente de acordo com a doutrina da Igreja, está de acordo com a proposta de Jesus Cristo.

Qual é a proposta de Jesus Cristo? O REINO DE DEUS. E o Reino acontece quando Deus reina no coração das pessoas e sua vontade, que é um mundo marcado pelo AMOR, acontece em todas as dimensões da vida humana e para todas as pessoas que o desejam sinceramente. O REINO é o AMOR inflamando a vida pessoal, familiar, fraterna, comunitária, profissional, social e política.

O REINO já aconteceu para nós, em plenitude, na pessoa e na obra de Jesus Cristo. Porém, no mundo ainda não está plenamente presente. E é obrigação DOS CRISTÃOS fazer com que este REINO aconteça o mais possível na terra. O REINO é “já”, na pessoa e na obra de Jesus, mas “ainda não” em toda nossa realidade. É pra ELE que apontamos e ao mostrá-lo, mostramos o modelo de mundo que queremos e sonhamos.

Como cristãos precisamos sim defender a vida. Toda a vida, em todas as suas dimensões, em todas as suas fases. Por isso, precisamos sim lutar sempre. Precisamos formar bem nossos cristãos e ajudá-los a viver a moral que acreditamos. Essa é NOSSA OBRIGAÇÃO. Não podemos nem devemos exigir de mais ninguém além de nós mesmos que ensinemos esta moral, que a ajudemos a ser cumprida por todos os cristãos em primeiro lugar.

Pergunto: se o aborto for aprovado por este ou aquele partido, mas nossas mulheres deste país de maioria cristã se recusarem a abortar, a descriminalização do aborto vai surtir efeito? Digo gritando: NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO!

Se todos os jovens cristãos forem ajudados a viver a sexualidade de acordo com o ensinamento evangélico, e o governo continuar a distribuir camisinhas o que vai acontecer? Elas VÃO VIRAR BEXIGA PRA CRIANÇADA BRINCAR (foi o que um grupo de adolescentes católicos fez estes dias em um colégio estadual, hehehe)…

Se as famílias cristãs forem ajudadas a viver a fidelidade, por mais que se incentive o divórcio, ele vai acontecer? NÃÃÃÃOOOOOOO!!!

Porque temos a mania de jogar para o governo a obrigação que é nossa? Parece ser essa a mania de nosso povo brasileiro… Deixar para o governante fazer sozinho aquilo que TODA A POPULAÇÃO DEVERIA FAZER JUNTO.

Mas parece ser a tendência da moda dos cristãos… Não conseguimos mais ajudar todo nosso povo a viver a nossa moral. DAÍ QUEREMOS QUE O GOVERNO FAÇA AQUILO QUE É OBRIGAÇÃO PRIMEIRO DA HIERARQUIA, MAS DEPOIS DE TODO O POVO CATÓLICO. Sabe… Isso me lembra uma frase de Jesus: “Amarram pesados fardos, colocam no ombro dos outros e não o carregam nem sequer com um dedo” (Mt 23,4).

Mas essa tendência é bem antiguinha… Sabe quando começou? No século IV, com Constantino. Foi com ele que o Estado começou a se unir à Igreja. Até Concílios o Imperador convocou. E ali começou o problema das investiduras, que só foi resolvido na Idade Média com o Concílio de Latrão… Os governantes, católicos é claro, assumiram o papel dos pastores do povo e, com seus interesses políticos, escolhiam bispos, padres e até papas (graças a Deus o Espírito guia a Igreja… e juntou os caquinhos…). Quanto mal isso fez à Igreja… E no Brasil, pasmem, parte deste mal continuou até a Proclamação da República, com o fim do Regime de Padroado. Documentos papais eram filtrados pela censura Imperial. Nosso Catolicismo praticamente não conheceu as importantes reformas do Concílio de Trento por causa do maldito padroado, herança do Império português. A inquisição, tão aludida pelos que atacam a Igreja, já tinha sido condenada pela Santa Sé, mas no Brasil, Portugal e Espanha imperaram até o Século XIX – apoiado pelos Impérios… A Escravatura, condenada por todos os papas da modernidade (depois do concílio de Tento) não pode ser condenada pela hierarquia brasileira porque o IMPERADOR proibia… E sofremos, nós Igreja (não os estados), até hoje, atacados por causa da Inquisição, da escravidão e de outros males do dito ESTADO CRISTÃO. A Igreja foi usada pelos poderosos para garantir seus poderes e sua influência no meio do nosso povo.

Por isso proclamo: como foi bom pra Igreja libertar-se disso… A Igreja no Brasil, após o fim do padroado, pode crescer! Inúmeras diocese foram criadas (eram apenas de 12 até 1888…). A pastoral pode se desenvolver independente dos partidos, das ditaduras ou de quem quer que estivesse no poder. Trento pode ser aplicado e a Igreja se viu livre inclusive para ser voz profética…

Mas parece que tem gente que tem saudades de Constantino… Tem saudades do Padroado. Quando a Igreja diz em quem votar e em quem não votar, pode estar caindo no mesmo erro de dizer que este ou aquele candidato representa Deus ou o diabo… Ou pior… Pode estar sendo usada por quem, para agradar os católicos, disfarça-se de bom moço e depois não vai estar de acordo com o Reino proposto pelo Cristo.

Aliás… Não haverá candidato, partido, tendência que sejam de acordo com o Cristo… Mesmo que o nosso melhor santo seja presidente da república… Nenhum deles poderá estar à altura daquilo que Nosso Senhor quer de nós.

Não nos iludamos, irmãos. A CNBB – órgão oficial da Igreja – não disse em quem votar, nem muito menos em quem não votar. Mas tem gente querendo ser mais que os bispos e que o papa no Brasil… Tem televisões “católicas” que se acham no direito de obrigar as consciências a votar neste ou naquele. ISSO É ABUSO ESPIRITUAL… Essa gente deveria receber repreensões severas… Há inclusive bispos apoiando essa postura… Mas não a CNBB como um todo (nem o Papa).

E afirmo mais: aqui em Curitiba NOSSO BISPO É CONTRA ESSA POSTURA DE DIZER EM QUEM VOTAR OU NÃO… Portanto, quem faz o contrário não está em comunhão com ele…

Às vezes podemos votar em algum candidato que, estando de acordo com alguns pontos – importantes é claro – da moral sexual católica, esteja em TOTAL DESACORDO COM A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA. Tenho medo dos católicos ingênuos, que se deixam inflamar pelos discursos eleitoreiros de alguns candidatos (todos eles tem discurso eleitoreiro, hehehe) e votarão em partidos ou tendências pensando que são católicas, MAS ESTAVAM SÓ DISFARÇADOS. E daí, como ficaremos? Seremos de novo julgados pelas iniquidades deste partido como somos julgados pela Inquisição até hoje? Se apoiarmos cegamente apenas um partido digo que SIM. Se rejeitarmos em bloco algum partido, digo que SIM. E como as iniquidades de QUALQUER UM DESTES CANDIDATOS vai aparecer, o nome da Igreja vai pro lixo com eles. Seremos condenados pelos nossos futuros cristãos que dirão: porque a Igreja daquele tempo apoiou este candidato? (Vejam a Igreja da Argentina, como sofre, por ter apoiado a ditadura, que considerava ser o melhor modelo para o país na época…). Nenhum destes candidatos fará o Reino acontecer no Brasil, pois esta é tarefa primeira da Igreja. Não se iludam, irmãozinhos, não se iludam com nenhum deles… Nenhum deles é o Messias. Só Jesus é nosso Senhor.

Aliás… Não tenho medo de dizer: NENHUM DESTES CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA ESTÁ DE ACORDO PLENO COM A MORAL E COM A FÉ CATÓLICAS. Se fosse pra votar em algum deles por causa da regularidade com nossa moral, não votaria em nenhum.

Já dissemos, no passado, que a Esquerda era mais cristã… Já dissemos, no passado, que a Direita era mais cristã… E no fundo, NEM LÁ NEM CÁ foram cristãos de verdade…

Digo mais: e se o presidente eleito for ateu? Vamos mudar de país por causa disso? NÃO… Caso isso acontecesse, teríamos que fazer o NOSSO trabalho para que o Cristo seja conhecido e seu Reino aconteça até mesmo no Palácio do Planalto. A Igreja não tem partidos: ELA PRECISA INFLAMAR TODOS OS PARTIDOS. Precisa estar dentro do PT, dento do PSDB, dentro do PV e do PSOL para desde dentro MUDÁ-LOS para melhor. Essa deve ser a postura dos cristãos. E não podemos esperar que eles mudem pra daí a gente participar deles. Precisamos estar dentro deles para mudá-los – essa é nossa tarefa e se não o fazemos SEREMOS OMISSOS.

Lembro aqui, irmãos, uma frase do meu querido e amado Bem Aventurado João XXIII, o papa do Concílio Vaticano II. Em determinado dia, ele acolheu a filha do presidente da União Soviética. Parte da Cúria Romana de então considerava a URSS como uma grande inimiga… Alguns cardeais não queriam que o papa a acolhesse, afirmando que eram inimigos da Igreja. O papa, santo em sua sabedoria, afirmou: A Igreja de Cristo NÃO TEM INIMIGOS, porque o CRISTO NÃO TEM INIMIGOS. Eles podem se fazer nossos inimigos pela vontade deles… Nós, porém, vamos amá-los até o fim, como o fez o Cristo, para que se tornem melhores.

Como provocação final: porque não divulgamos a cartilha da CNBB? Porque não a lemos? Ela é que tem validade pra Igreja. Ao invés de partilharmos esse monte de e-mail’s apocalípticos desta ou daquela TV, deste ou daquele pastor… Porque não lemos o que a IGREJA DO BRASIL nos dá como magistério oficial?

Não tenho medo mesmo de dizer: irmão na fé! Vc é livre pra votar em quem a sua consciência mandar. Mas escolha bem! Seu voto terá consequências. Seja na esquerda, seja na direita, seja em cima, seja em baixo ou o escambal a quatro… Todos eles terão consequências positivas ou negativas para o Brasil (e não apenas para os católicos…). Pese os prós e os contras de todo projeto de país que seu candidato apresenta e só então decida em quem votar, OK?

Em Cristo e na paz com todos (até aqueles que não gostaram,

“Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, a liberdade; e em tudo, caridade” (Santo Agostinho)
PE. ALEXSANDER CORDEIRO LOPES
Vice-Reitor do Seminário São João Maria Vianney
Assessor do Setor Juventude Curitiba  -       Fone: 2105-6364

“Agradeço pelo empenho de tantas vozes dispersas até agora! Vamos juntos(as) gritar, girar o mundo. Chega de violência e extermínio de Jovens.”  Pe. Gisley, um dia antes de seu assassinato

Uma tarde com o Concílio Vaticano II

10 de Setembro de 2010 às 21:00 por Rosana Manzini | Postado em: fé x vida
| Comentários (0)

As vezes nosso corpo nos obriga a mudar o que planejamos. Hoje, depois de uma semana intensa, meu corpo disse que era melhor baixar o ritmo. Eu obedeci, claro! Dessa forma tirei o tempo para colocar algumas coisas em dia e uma delas era ver o documentário “Il Vento del Concilio“.  Com imagens e áudio originais percorri a história desse grande momento de nossa Igreja. O documentário, rico em detalhes, perpassa os pontificados de João XXIII, Paulo VI e João Paulo II. Por diversas vezes me emocionei profundamente pesnando na grandiosidade da ação do Espírito sobre a Igreja. Tenho um particular carinho pela Constituição Pastoral Gaudium et Spes, tema do meu segundo mestrado. Creio que a atualidade de todo o Concilio permanece em sua intenção de fazer com que a Igreja esteja sempre em diálogo com o mundo.

O Concílio Vaticano II representou uma ousada renovação de toda a Igreja. Foi um novo marco no diálogo com o mundo moderno. . Esta mesma Igreja, na Lumen Gentium, se define como sacramento, ou seja, instrumento e, assim, manifesta solenemente seu programa de superar o eclesiocentrismo para viver o programa de seu Mestre: “Não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Esta eclesiologia do serviço sacramental é a porta de entrada que se abriu no Concílio Vaticano II. Analogamente poderíamos dizer que a Gaudium et Spes representou o primeiro ensaio prático deste programa. Nela verificamos que pela mesma porta se pode entrar e sair, transitar, gerar comunhão com a sociedade. Ser sacramento universal de salvação tem implicações concretas.

Um dos momentos que me emocionaram foi a homilia que o papa João Paulo II fez na pequena cidade de Sotto il Monte, onde nasceu o papa João XXIII, o papa da paz. Transcrevo aqui o trecho:

— visitando, no centenário do seu nascimento, a casa de que saiu e a terra que lhe deu origem — devemos reconhecer que o Papa que saiu daqui, deste ninho, se parecia de modo particular àqueledono de casa de que fala o Evangelho que, do tesouro do Reino de Deus, extrai “coisas novas e coisas antigas” (Mt 13, 52). E viemos precisamente para agradecer ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, no centenário do seu nascimento. Quão necessários, quão indispensáveis são na história da Igreja tais “donos de casa”, que — guiados pelo Espírito de Verdade — sabem manifestar de novo todos os tesouros do Reino de Deus: “coisas antigas e coisas novas”.

Assim pois, do limiar da casa rural em Sotto il Monte, das colinas desta vossa terra de Bérgamo, da pia baptismal e dos altares da Igreja que nela cumpre a sua missão —  vê-se o cenáculo jerosolimitano como o lugar do encontro de Cristo Ressuscitado com a Igreja dos tempos que vieram e dos que estão para vir.

O cenáculo de Jerusalém é o primeiro lugar da Igreja na terra. E é, em certo sentido, o protótipo da Igreja em todo o lugar e em toda a época. Também na nossa. Cristo, que foi ter com os Apóstolos na primeira tarde depois da Ressurreição, vem sempre de novo a nós para repetir continuamente as palavras: “A paz esteja convosco! Assim como o Pai Me enviou, também Eu, vos envio a vós… Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos..?’ (Jo 20, 21-23).

A verdade contida exactamente nestas palavras não se tornou acaso a ideia-guia do Concílio Vaticano II? do Concílio que dedicou os seus trabalhos ao mistério da Igreja e à missão do Povo de Deus, recebida de Cristo mediante os Apóstolos? Missão dos Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos?… “Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós” (Jo 20, 21).

Deste Concílio — cuja obra João XXIII iniciou, guiado (como ele mesmo confessava) pela, clara inspiração do Espírito Santo — a Igreja saiu com fé renovada no poder das palavras de Cristo, dirigidas aos Apóstolos no cenáculo. Saiu com nova certeza acerca da própria missão: a missão recebida do Senhor e Salvador. Saiu para o futuro. Do limiar da casa em Sotto il Monte, das colinas da vossa terra de Bérgamo, vê-se a Igreja como cenáculo de todos os povos e continentes, aberta para o futuro.

É difícil submeter aqui a uma análise profunda a perspectiva desta abertura. Mas é também difícil não mencionar pelo menos o que, de modo particular, saiu do íntimo do Papa João. É o novo impulso para a unidade dos cristãos e uma particular compreensão da missão da Igreja perante o mundo contemporâneo. Estes temas viram um essencial aprofundamento no banco do Concílio. Embora neste espaçoso cenáculo da Igreja dos nossos tempos, difundida por todo o globo terrestre, não faltem, as dificuldades, as tensões e as crises, que originam justificados temores, seria difícil não reconhecer que devido ao Papa saído da vossa terra, de Bérgamo, de Sotto il Montenasceu uma obra providencial. É necessário somente que mantenhamos fidelidade ao Espírito de Verdade, orientador desta obra, que sejamos honestos em compreender e aplicar o Concílio, e ele mostrará ser mesmo esse caminho que a Igreja dos nossos tempos e dos futuros deve seguir para o cumprimento dos seus destinos.

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/1981/documents/hf_jp-ii_hom_19810426_bergamo_po.html


MEU FILHO: O JUMENTO!

1 de Setembro de 2010 às 2:58 por Rosana Manzini | Postado em: ROSANA
| Comentários (1)

“Jumento não é

Jumento não é
O grande malandro da praça
Trabalha, trabalha de graça
Não agrada a ninguém
Nem nome não tem
É manso e não faz pirraça
Mas quando a carcaça ameaça rachar
Que coices, que coices
Que coices que dá”

Neste domingo fui assistir a uma peça baseada nos Saltimbancos. Meu filho, Gustavo, era o jumento.

Assisti, me diverti e me orgulhei como uma mãe pode se orgulhar.

Toda vitória, todo sonho realizado, todo obstáculo ultrapassado nos ecoa como o primeiro passo, como a primeira palavra dita.

Filhos não tem idade, não crescem em tamanho, não engrossam a voz. São eternamente… filhos!

Gustavo, foi muito bom vê-lo encenar, cantar, tocar violão… vencendo a timidez nata.  Vi quando voce nos procurou no meio do escuro da platéia e senti uma grande paz quando, no silêncio, pude te dizer sem falar: eu estou aqui , filho!

Valeu Gu!